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18/04/2005 12:11:10
A Comunidade
Internacional Bahá´í está consternada com a falta de Resolução sobre Direitos
Humanos no Irã. Preocupação com o agravamento das perseguições aos bahá'ís no
Irã.
GENEBRA (14 abril 2005)- A Comunidade Internacional
Bahá´í expressou hoje seu desânimo e decepção diante do fracasso da Comissão de
ONU sobre Direitos Humanos em pelo menos considerar tomar uma resolução em
defesa dos direitos humanos no Irã, o que tem levado a uma situação de
agravamento naquele país, em particular no que tange à perseguição movida contra
os bahá'ís.
“Devido ao aumento acentuado das violações de direitos humanos contra a
comunidade bahá'í no Irã, é certamente chocante que a Comissão de Direitos
Humanos da Organização das Nações Unidas tenha falhado, já pelo terceiro ano
seguido, em renovar o monitoramento internacional da situação,” disse Bani Dugal,
representante oficial da Comunidade Internacional Bahá´í nas Nações Unidas.
“Durante o último ano, dois locais sagrados para a Comunidade Bahá'í foram
destruídos; estudantes bahá'ís tiveram negado o acesso ao ensino superior, e,
recentemente, bahá'ís em Yazd e em Teerã foram vítimas de uma onda nova de
agressões, perseguições e detenções.
“Tudo isto acontece como parte de uma campanha de perseguição religiosa
instigada e liberada pelo governo iraniano, cujas ações, em anos passado, foram
alvo da condenação clara da comunidade internacional.” Disse a Sra. Dugal.
“Estamos muito desapontados diante do fracasso da Comissão de Direitos Humanos
em cumprir seu mandato,” disse a Sra. Dugal. “Infelizmente, países que no
passado iniciaram resoluções que pediam o monitorando internacional do Irã,
têm-se abstido nestes últimos anos,” enfatizou a Sra. Dugal.
Os comentários da Sra. Dugal foram feitos ao término do período de consultas da
Comissão sobre resoluções específicas relacionadas a alguns países, quando
nenhuma esperança restava de que uma resolução contra o Irã seria aprovada.
Três semanas atrás, a Comunidade Internacional Bahá´í firmemente solicitou à
Comissão incluir na pauta das resoluções o assunto da situação dos direitos
humanos no Irã, dizendo que “as violações totais, flagrantes e repetidas, dos
direitos humanos no Irã, inclusive os abusos infligidos contra os membros da Fé
Bahá´í, exigem o restabelecimento de um mecanismo de monitoramento
internacional.”
“Durante três anos, esta Comissão não foi capaz de apresentar uma resolução
sobre o Irã, enquanto a situação naquele país continuava e continua a
deteriorar-se gradualmente, mas de forma ininterrupta ,” disse Diane Ala'i,
representante da Comunidade Bahá´í junto às Nações Unidas em Genebra, em uma
declaração para a Comissão no dia 23 de março de 2005.
“E agora, durante os últimos meses, tivemos a impressão de que a violência de
uma campanha sistemática, conforme ocorreu há cerca de vinte anos e mais, havia
voltado com a mesma virulência contra a comunidade bahá´í no Irã.” disse a Sra.
Ala'i.
“A erupção mais séria aconteceu em Yazd, onde diversos bahá'ís foram atacados em
seus próprios lares, espancados e submetidos a vexames diante de seus
familiares; a loja de um bahá'í foi incendiada; ainda outros foram molestados e
ameaçados de morte, seguindo-se uma série de detenções e prisões. O cemitério
bahá'í em Yazd foi impiedosamente destruído, com carros passando por cima das
sepulturas, lápides destruídas, e os restos mortais de muitos bahá´ís
desenterrados e deixados expostos ao tempo.”
A Sra. Ala'i também disse que em Teerã, agentes da Inteligência iraniana
entraram nas casas de vários bahá'ís, ficando horas a fio saqueando-as, levando
móveis e outros bens sob a desculpa de que iriam ser mantidos em custódia.
“Cinco bahá'ís foram presos no mês de março deste ano”, disse a Sra. Ala'i.
“Dois foram libertados sob fiança, mas as famílias e os membros da comunidade
não puderam localizar os outros detidos. Dois outros, que anteriormente haviam
sido presos temporariamente, apenas por terem tirado cópias e distribuído uma
carta cortês em nome da Comunidade Bahá´í do Irã dirigida ao Presidente Khatami,
receberam agora a sentença máxima para esta assim chamada ofensa.
“Outras seis famílias bahá´ís tiveram suas casas e terrenos recentemente
confiscados, privando-as do único meio de sustento que tinham.”
“Realmente, as violações dos direitos humanos no Irã tornaram-se novamente tão
graves que, ao nosso ver, exigem um sinal claro da comunidade internacional e
uma decisão urgente para restabelecer um monitoramento internacional”, afirmou a
Sra. Ala'i em março último.
Entre 1978 e 1998, o governo iraniano executou mais de 200 bahá'ís. Centenas de
outros foram presos, e dezenas de milhares foram privados de seus empregos,
pensões, negócios, e oportunidades de estudo universitário.
Em face das pressões internacionais, mais significativamente de parte da
instituição das Nações Unidas, através de resoluções de proteção aos direitos
humanos, o governo iraniano parou com as execuções sumárias, reduzindo
significativamente o número de bahá'ís mantidos prisioneiros.
Embora suspendendo as formas mais notórias de violência direta contra os membros
individuais da comunidade bahá'í, o governo continuou sua campanha de
perseguição, principalmente com a proibição de reuniões sociais da comunidade e
restrições econômicas aos indivíduos, que visam sufocar integralmente uma
comunidade religiosa, lentamente, mas persistentemente.
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