Fé Bábí
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n“ Convivei com todas as religiões em amizade e concórdia para que se inale de vós a doce fragrância de Deus. Vigiai para que a chama da tola ignorância não vos domine quando entre os homens. Tudo procede de Deus e a Ele retorna. Ele é a origem de tudo e n'Ele todas as coisas findam.”
Bahá’u’lláh – Kitáb-i-Aqdas # 144 p.57

 


notícias sobre os bahá'Ís no Irã

Negado o direito de aprender: A tentativa do Irã de destruir a vida intelectual da comunidade bahá’í iraniana  _/11/1998

Nova manobra do Governo Iraniano para privar estudantes bahá'ís de acesso ao ensino superior  14/8/2004

BAHÁ'ÍS CONDENAM ERRADICAÇÃO CULTURAL NO IRÃ 12/09/2004

A Comunidade Internacional Bahá´í está consternada com a falta de Resolução sobre Direitos Humanos no Irã. Preocupação com o agravamento das perseguições aos bahá'ís no Irã  18/04/2005

Portas Fechadas - Campanha no Irã para negar educação superior aos bahá´ís - Official Site of the Bahá’í International Community

ONU: rejeição de “moção de não-ação” iraniana é vitória dos direitos humanos - 22/11/2008 19:05:19

 


Santuário do Báb no Monte Carmelo

Religião independente fundada em 1844 na Pérsia, atual Irã, por Siyyid ‘Ali-Muhammad (1819-1850), conhecido como o Báb (“O Portal”). O Báb proclamou ser o “Qá’im” (Aquele Que Se Levanta) cujo advento era aguardado pelo Islã shiita e a Quem caberia estabelecer a paz e a justiça no mundo inteiro. Trata-se da mesma promessa messiânica também existente no judaísmo, no cristianismo e nas demais religiões do mundo, do advento do “Reino de Deus na Terra”. Apesar de se proclamar como o prometido Qá’im, Ele tomou o título de Báb, que, em árabe, significa Portal. Como tal título já fosse do conhecimento dos muçulmanos, por ter sido usado pelos mensageiros que faziam a comunicação entre o 12o Imã e os fiéis, alguns não compreenderam a verdadeira posição do Báb- a de Manifestante de Deus independente, assim como Moisés, Cristo e Muhammad. Porém, como Ele próprio ensinou, o sentido deste título era que Ele era o Arauto de uma Manifestação ainda maior que em breve viria. A Ele cabia anunciar a iminente Revelação de “Aquele Que Deus Tornará Manifesto” ou “O Mestre Onipotente”, que era como Ele denominava Aquele chamado, na Bíblia, de “Senhor dos Exércitos” e o “Espírito da Verdade”, o “Buda Maitréia” do Budismo, o retorno do Imã Husayn ou a vinda do “Espírito de Deus” esperado pelos muçulmanos, enfim, o Manifestante de Deus que, segundo cada uma das religiões mundiais, unificaria a humanidade e estabeleceria uma nova era de justiça e fraternidade.

Antes da Manifestação do Báb, dois eminentes sacerdotes muçulmanos, altamente respeitados em toda a Pérsia, Shaykh Ahmad-i-Ahsá’í (1743-1834) e, depois dele, Siyyid Kázim-i-Rashtí (1793-1843), proclamaram o advento próximo do Qá’im, assim como João Batista anunciara a vinda do Messias de Israel. Ambos ensinavam, contrariando a opinião prevalecente, que as profecias do Alcorão tinham sentido simbólico e que já tinham sido cumpridas. Seus seguidores, conhecidos como Shaykhís, espalharam-se por toda a Pérsia em busca do Prometido que, segundo eles, já se encontrava em seu meio. Foi para um desses discípulos, Mullá Husayn-i-Bushrú’í, que o Báb proclamou, em 23 de Maio de 1844, na cidade de Shíráz, onde exercia a profissão de comerciante, ser o Prometido Qá’im. Mais dezessete pessoas vieram a reconhecer a Missão do Báb antes que Ele a proclamasse publicamente. A elas, juntamente com Mullá Husayn, o Báb chamou de “As Letras do Vivente”.

A Mensagem do Báb causou grande impacto em toda a Pérsia. A fama de Sua sabedoria e capacidade se espalharam por todo o país. A majestade de Sua Revelação, capaz de compor em dois dias e duas noites um livro igual ao Alcorão, revelado por Muhammad durante 23 anos, causou assombro e admiração aos mais eruditos muçulmanos do Seu tempo. Pessoas de todos os níveis prestaram sua lealdade à Causa Bábí. Alguns dos mais proeminentes sacerdotes e sábios da Pérsia, inclusive o enviado do Xá encarregado de investigar a reivindicação do Báb, aceitaram Sua Mensagem.

Tal repercussão fez com que o Báb, Seus seguidores e Sua Mensagem começassem a ser severamente perseguidos por grupos mais ortodoxos dentre o Islã shiita. Finalmente, quando a grandeza do Báb ficou comprovada pela total devoção que o governador de Isfahán, Manúchihr Khán, veio a Lhe dedicar, o próprio Xá convidou o Báb para a capital, Teerã, onde deveria expor Sua Causa ante a presença do soberano. O primeiro ministro, Hájí Mírzá Áqásí, temeroso de que o Xá pudesse aceitar a Mensagem do Báb, conseguiu fazer com que Ele fosse conduzido para o Forte de Máh-Kú, onde ficou aprisionado nove meses. O povo da cidade, bem como o responsável pela prisão, ‘Ali Khán, que no início eram extremamente hostis, passaram a dedicar grande respeito e amor ao Báb. Ao contrário do que fora ordenado, os peregrinos passaram a poder ver o Báb, e as portas da prisão permaneciam sempre abertas. Informado da situação, o primeiro ministro ordenou que o Báb fosse transferido para a prisão de Chihríq em abril de 1848. Ali, ainda mais do que em Máh-Kú, o ódio inicial transformou-se em total devoção. Eminentes Siyyids (descendentes de Muhammad), distintos ulemás (doutores na Lei Islâmica) e mesmo oficiais do governo estavam entre os que passaram a defender a Causa do Báb. Todos os dias multidões se reuniam para escutar Suas palavras.

Durante o aprisionamento do Báb em Chihríq, alguns de Seus mais eminentes seguidores, reunidos em Badasht, estabeleceram definitivamente o rompimento com as leis da Revelação passada, de Muhammad.

A perseguição aos seguidores do Báb tornou-se cada vez mais violenta. Mulheres e crianças eram raptadas e mortas, famílias eram torturadas e toda a comunidade perseguida e ameaçada. Em Shaykh Tabarsí, Nayriz, Zanján e na própria capital Teerã, centenas de babís foram perseguidos e mortos. Incapazes de pedir ou receber conselhos de Seu Mestre, defenderam-se, conforme era permitido pela lei muçulmana, com o uso de armas.

Finalmente, desejoso de por um fim à Causa Bábí, o governo levou o Báb para Tabríz, onde foi executado em 9 de Julho de 1850. Tornou-se famoso este acontecimento, registrado inclusive por observadores ocidentais, e presenciado por milhares de pessoas. O Báb foi suspenso por cordas juntamente com um discípulo amarrado junto a Ele. O pelotão de fuzilamento, composto de 750 soldados, disparou em três grupos sucessivos. Quando a fumaça se dissipou o Báb não estava mais no local e Seu seguidor se encontrava de pé, ileso, liberto das cordas que haviam sido estraçalhadas pelas balas. O Báb foi encontrado nas proximidades, dando algumas instruções para Seu secretário. Ao ser interpelado, sentenciou que só naquele momento Sua Missão havia sido cumprida e que poderiam, portanto, levar a cabo a execução. Assim, um novo batalhão de fuzilamento teve de ser recrutado, pois o primeiro debandara, recusando-se a prosseguir com a execução. Com a segunda tentativa a vida do Báb chegou ao fim.

Nas perseguições dirigidas contra os babís, após o martírio do Báb, mais de 20000 pessoas foram brutalmente martirizadas. Bahá'u'lláh, que havia sido um dos mais eminentes de Seus seguidores, foi exilado para Bagdá onde, em 1863, proclamou ser “Aquele Que Deus Tornará Manifesto”, o prometido pelo Báb. A grande maioria dos babís aceitou a Manifestação de Bahá'u'lláh, tornando-se conhecidos por Bahá’ís. Do pequeno grupo que não abraçou a nova Revelação, alguns se dispersaram e outros, conhecidos como azalís, reuniram-se temporariamente sob a liderança de Mírzá Yahyá, conhecido por Subh-i-Azal.

O Báb ensinou que todas as religiões são reveladas por Deus, em etapas sucessivas, conforme as condições e necessidades da humanidade. Estabeleceu a igualdade entre homens e mulheres e proclamou o advento de um novo ciclo de maturidade humana, que seria instituído por Bahá'u'lláh. Exortou Seus seguidores a distinguirem-se pela cortesia e pelo amor fraternal para com todos os povos e todas as religiões. Uma parte importante de Seus ensinamentos foi dedicada ao esclarecimento de antigas noções como Ressurreição, paraíso e inferno, etc. O Báb demonstrou que estas palavras deviam ser entendidas de uma forma simbólica, espiritual, e não literalmente. Entre Seus volumosos escritos, destaca-se o “Bayán” como o mais sagrado livro da Revelação Bábí.


Referências

ASSEMBLÉIA ESPIRITUAL NACIONAL DOS BAHÁ’ÍS DO BRASIL, Bahá’í Verbetes e Errata. Porto Alegre: Dp. Bahá’í de Informação Pública, 1982.



 
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 janeiro 30, 2009