novembro de 1998
Dados sobre o Instituto Bahá’í de
Educação Superior (IBES)
Eventos 1998
* Pelo menos 36 membros do Instituto Bahá’í de Educação
Superior (IBES) foram presos por todo o Irã, de 29 de setembro a
3 de outubro de 98
* Dois bahá’ís presos anteriormente, Sr. Sirus
Zabihi-Moghaddam e Sr. Hedayat-Kashefi Najafabadi, foram
sentenciados a morte- Setembro de 98
* 532 casas foram invadidas e equipamentos, arquivos e
propriedades usados pelo IBES foram confiscados; vários itens
pessoais também foram confiscados na mesma ocasião
* As ações foram tomadas por todo o Irã por oficiais do
Governo sob ordens do Ministério da Informação, uma agência de
inteligência do Governo Iraniano
* Aqueles que foram presos eram intimados a assinar uma
declaração que IBES fora abolido e que eles não mais se
envolveriam com o mesmo. Eles se negaram a assinar.
Histórico Geral
* Mais de 200 bahá’ís foram assassinados desde 1980 devido a
suas crenças religiosas; geralmente acusados de crimes
fictícios; milhares têm sofrido detenção arbitrária.
* A ultima execução foi em Julho de 1998, do Sr. Ruhollah
Rawhani, de Mashhad
* Desde 1980, bahá’ís no Irã não têm tido nenhum direito
garantido pela constituição do atual regime devido a sua crença
em uma religião que nasceu após o Islamismo
* Os bahá’ís são sujeitos a confiscos de pensões,
propriedades e bens.
* Os Cemitérios Bahá’ís por todo o Irã foram confiscados e
profanados.
* O Casamento Bahá’í não é reconhecido no Irã
Situação da Educação Superior
* O Governo Iraniano tem negado o ingresso de bahá’ís nas
universidades desde 1980.
* O IBES, também conhecido como "Universidade Aberta",
é uma tentativa de fornecer educação superior para bahá’ís de
forma privada.
* O IBES está em operação desde 1987.
* Os professores, palestrantes e administradores são
acadêmicos bahá’ís despedidos de posições na universidade após a
revolução.
* O fechamento do IBES é um dos meios utilizados para o
estrangulamento da comunidade bahá’í contidos no documento "A
Questão Bahá’í", emitido pelo Conselho Cultural Supremo
Revolucionário Iraniano em 1991, assinado pelo Ayatollah Ali
Khamenei.
Excertos do documento "A Questão Bahá’í "
do Governo Iraniano
"O tratamento deles, os bahá’ís, deve ser de tal forma que seu
progresso e desenvolvimento sejam impedidos."
" Eles devem ser expulsos de universidades, seja no processo de
admissão ou durante o decorrer dos seus estudos, no momento que se
descobre serem Bahá’ís."
" Um plano deve ser arquitetado para confrontar e destruir
suas raízes fora do país."
"Negar-lhes emprego caso sejam identificados como bahá’ís."
" Negar-lhes qualquer posição de influência, como no setor
educacional, etc."
Negado o direito de aprender: A
tentativa do Irã de destruir a vida intelectual da comunidade bahá’í
iraniana.
Um histórico sobre o Instituto Bahá’í de Educação
Superior
Desde 1980, como parte de uma tentativa do Governo de destruir a vida
intelectual e cultural da comunidade bahá’í de 300.000 membros, jovens
que se identificaram como bahá'ís têm sido sistematicamente excluídos de
faculdades e universidades no Irã.
Profundamente preocupados ao ver uma completa geração dos melhores e
mais brilhantes jovens definhar sem a oportunidade de ter uma educação
superior, a comunidade bahá’í do Irã lançou uma resposta criativa e
completamente pacífica: o estabelecimento de seu próprio, independente,
habilitado, porém completamente descentralizado, sistema universitário.
Fundado em 1987, o Instituto Bahá’í de Educação Superior (IBES)
tinha, até setembro de 1998, inscritos de mais de 900 alunos, um corpo
docente de mais de 150 acadêmicos e instrutores, e uma "infra-estrutura"
composta de várias salas de aula, laboratórios e bibliotecas espalhadas
por todo Irã em lares particulares e prédios.
Como foi intensamente noticiado na mídia internacional, agentes do
Governo Iraniano protagonizaram uma série de ataques devastadores no
final de Setembro e começo de Outubro de 98, prendendo pelo menos 36
docentes e funcionários do IBES e confiscando muitos dos seus
equipamentos e arquivos localizados em mais de 500 residências. Aqueles
que foram presos, muitos do quais foram colocados em liberdade, eram
intimados a assinar um documento declarando que o IBES havia deixado de
existir a partir do dia 29 de Setembro e que eles não mais cooperariam
com o mesmo. Todos se recusaram a assinar tal declaração.
Para os observadores informados, as recentes prisões e confiscos são
claramente parte de uma campanha duradoura e centralmente orquestrada
pelas autoridades iranianas para lidar com a comunidade bahá’í no Irã
"de forma que o seu progresso e desenvolvimento sejam impedidos"- como
descrito em um memorando secreto do Governo, datado de 1991 que instruía
autoridades a como lidar com "A Questão Bahá’í". As ações contra o IBES,
da mesma forma, refletem um novo e perigoso período para a comunidade
Bahá’í iraniana, anunciado pela execução sumaria do Sr. Ruhollah
Rowhani, um vendedor de materiais médicos de 52 anos que foi enforcado
em Mashhad em 21 de julho de 1998 unicamente por razão religiosa, e a
subsequente confirmação das penas de morte para dois outros bahá’ís em
Mashhad em setembro.
O memorando secreto do Governo, redigido pelo Conselho Cultural
Supremo Revolucionário em fevereiro de 1991, foi obtido e anunciado
publicamente em 1993 pelo Representante Especial das Nações Unidas que
investigava a situação dos direitos humanos no Irã, Sr. Galindo Pohl.
Assinado pelo Presidente Iraniano Ali Khamenei, o memorando estabelecia
uma política governamental sutil com o objetivo essencial de esmagar a
comunidade até a sua não-existência ao forçar crianças bahá’ís a terem
uma pesada educação Islâmica, forçando os adultos a uma periferia
econômica e colocando todos longe de posições de poder ou influência, e
requerendo que a juventude bahá’í "seja expulsa de universidades, seja
no processo de admissão ou durante o decorrer de seus estudos, a partir
do momento que se saiba que são bahá’ís".
Não é uma universidade subversiva
Seria incorreto chamar o IBES de uma "universidade subversiva", pois
sua existência era bem conhecida por autoridades desde seus primeiros
anos. De fato, em 1992 autoridades Iranianas conduziram ataques de largo
alcance contra IBES, confiscando registros e equipamento mas não
chegaram a fechar o Instituto
Obedecendo o princípio bahá’í de obediência para com o Governo, os
bahá’ís no Irã sempre responderam claramente às perguntas quanto ao
Instituto ou qualquer outra pergunta feita. Mesmo assim, da mesma forma
que os bahá’ís iranianos foram impedidos de operar suas instituições
livre e normalmente, eles optaram em dirigir uma "universidade aberta"
que era altamente descentralizada e cuidadosamente cautelosa na sua
operação.
Até ocorrerem os ataques do Governo no final de setembro de 1998, o
Instituto oferecia bacharelado em dez (10) cursos: química aplicada,
biologia, odontologia, farmacologia, engenharia civil, computação,
psicologia, direito, literatura e contabilidade. Dentro desses cursos,
que eram administrados por cinco departamentos universitários, o
instituto era capaz de oferecer mais de 200 cursos distintos cada
semestre. No início, os cursos eram baseados em aulas por
correspondência desenvolvidas pela Universidade de Indiana, EUA, que foi
uma das primeiras instituições do ocidente a reconhecer o IBES. Depois,
a oferta de cursos desenvolveu-se internamente.
O ensino era feito principalmente via correspondência ou, para cursos
científicos especializados e cursos técnicos e em outro casos especiais,
em classes de pequenos grupos que eram geralmente realizados residências
particulares. O Instituto também tinha uns poucos laboratórios, que
operavam em prédios comerciais particulares em e ao redor de Teerã.
Estes laboratórios incluíam laboratórios de: computação, física,
odontologia, farmacologia, química e para estudos da língua. As
atividades nestes laboratórios eram mantidas prudentemente silenciosas,
com alunos avisados de não entrarem e saírem em grandes grupos para não
dar motivos de objeção para as autoridades.
Um corpo docente apenas com voluntários
No seu auge, o Instituto teve acima de 150 membros no corpo docente.
Aproximadamente 25 ou 30 eram professores que foram despedidos de
universidades governamentais, após a Revolução Islâmica de 1979. Outros
membros do corpo docente incluíam médicos, dentistas, advogados e
engenheiros que doavam seu tempo para ensinar os alunos. A maioria foi
educada no Irã, mas um bom número tem diplomas de universidades no
Ocidente incluindo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, a
Universidade de Berkeley na Califórnia, a Universidade de Columbia e
Sorbonne. Nenhum dos membros do corpo docente bahá’í eram pagos pelo seu
serviço; todos o ofereciam livremente como uma forma de serviço
comunitário.
Todos os cinco departamentos não dependiam somente desses professores
pelos seus conhecimentos mas também de um pequeno e anônimo grupo de
docentes bahá’ís na América do Norte, Europa e Austrália que enviavam
seus mais recentes livros e pesquisas, ocasionalmente faziam visitas ao
Irã como palestrantes convidados, e de outras formas providenciavam
suporte técnico e instrutivo.
Alto Nível Acadêmico
Provas de admissão para o IBES eram necessárias, estabelecendo altos
padrões de conhecimento. Dos quase 1.500 alunos que se inscreveram para
o primeiro ano de funcionamento, 250 foram aceitos para o primeiro
semestre de estudos. Em 1996, um total de 600 alunos haviam entrado no
IBES e seguiam seus estudos; em 1998, aproximadamente 900 alunos estavam
matriculados.
Entre os indicativos dos surpreendentes altos níveis acadêmicos e
educacionais do Instituto consta o sucesso de que alguns alunos
graduados do Instituto ganhavam admissão para outras instituições fora
do Irã, incluindo importantes universidades nos Estados Unidos e Canadá.
Deve ser lembrado que alguns alunos e graduados tiveram dificuldade em
terem seus créditos reconhecidos fora do Irã - um percalço para
graduados do Instituto derivado da política Iraniana de bloquear seu
acesso para a educação e seu fracasso de reconhecer o Instituto
oficialmente.
Administração Complexa
No seu funcionamento diário, o Instituto funcionava basicamente como
um curso por correspondência, mas com o seu próprio sistema de entrega.
Nos seus primeiros anos, alunos e corpo docente enviavam e recebiam
tarefas, atividades e lições através do sistema dos correios. Mas os
pacotes freqüentemente não chegavam e era assumido que o material fora
interceptado como parte da tentativa do Governo de interferir na
educação bahá’í .
A partir do momento que os professores não podiam enviar as aulas
abertamente, eles prepararam suas próprias anotações e faziam
livros-texto para distribuição entre os alunos. Novamente, como já
mencionado, alguns destes textos eram baseados nas últimas pesquisas do
Ocidente. Um aluno de engenharia civil, por exemplo, estudava a
construção de silos de terra à prova de terremotos, e os contatos do
Instituto em outros países eram capazes de conseguir as últimas
pesquisas neste tema do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Esta operação completa dependia altamente no uso de grandes
quantidades de cópias, e um dos maiores golpes nos últimos ataques foi o
confisco de várias máquinas de fotocópias.
O sistema do Instituto também possuía uma rede especial de
bibliotecas de empréstimo por todo o país. Acima de 45, estas
bibliotecas existiam em lares particulares de Bahá’ís e capacitavam os
alunos em cada distrito de obter acesso a livros de leitura para os
cursos. Algumas destas bibliotecas foram capturadas durante os ataques
recentes.
Fechamento
Com o passar do tempo, à medida que os responsáveis pelo Instituto
começaram a sentir maior confiança por suas atividades, muitas aulas em
grupo começaram a ser organizadas junto com estudos individuais em
lares particulares. O Instituto também começou a publicar catálogos
de cursos sofisticados, listando não apenas as ofertas de curso, mas
também as qualificações do membros do corpo docente. Através da rede
internacional de comunidades Bahá’ís no mundo inteiro, o Instituto
também começou a estabelecer os meios pelos quais seus graduandos possam
ser plenamente reconhecidos por outras instituições universitárias fora
do Irã.
Não está claro para a comunidade bahá’í do Irã qual a razão dos
ataques e confiscos terem ocorrido no final de setembro, e oficiais do
Governo Iraniano não apresentam explicações quando indagados a respeito
das ações.
Entre várias importantes convenções dos direitos humanos, o Irã é
membro do Convênio Internacional em Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais, que foi adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 16
de Dezembro de 1966. Signatários deste Convênio "reconhecem o direito de
todos à educação" e mais especificamente que "educação superior deve ser
igualmente acessível a todos, com base em suas capacidades, por qualquer
maneira apropriada."
A exclusão de bahá’ís ao acesso da educação superior no Irã
certamente constitui uma enorme violação ao Convênio. Estas últimas
medidas tomadas para acabar com a resposta criativa e pacífica da
comunidade bahá’í iraniana apenas aumenta o descontentamento público em
relação a tentativa do Governo Iraniano de estrangular a comunidade
bahá’í. |