n“ Convivei com todas as religiões em amizade e concórdia para que se inale de vós a doce fragrância de Deus.

Vigiai para que a chama da tola ignorância não vos domine quando entre os homens.

Tudo procede de Deus e a Ele retorna. Ele é a origem de tudo e n'Ele todas as coisas findam.”

Bahá’u’lláh – Kitáb-i-Aqdas # 144 p.57


notícias sobre os bahá'Ís no Irã

Negado o direito de aprender: A tentativa do Irã de destruir a vida intelectual da comunidade bahá’í iraniana  _/11/1998

Nova manobra do Governo Iraniano para privar estudantes bahá'ís de acesso ao ensino superior  14/8/2004

BAHÁ'ÍS CONDENAM ERRADICAÇÃO CULTURAL NO IRÃ 12/09/2004

A Comunidade Internacional Bahá´í está consternada com a falta de Resolução sobre Direitos Humanos no Irã. Preocupação com o agravamento das perseguições aos bahá'ís no Irã  18/04/2005

Portas Fechadas - Campanha no Irã para negar educação superior aos bahá´ís - Official Site of the Bahá’í International Community

ONU: rejeição de “moção de não-ação” iraniana é vitória dos direitos humanos - 22/11/2008 19:05:19

CONHEÇA A SITUAÇÃO DOS BAHÁ´ÍS NO IRÃ - COMUNIDADE BAHÁ´Í DO BRASIL - AÇÕES COM A SOCIEDADE E O GOVERNO - 2010


novembro de 1998

Dados sobre o Instituto Bahá’í de Educação Superior (IBES)

Eventos 1998

* Pelo menos 36 membros do Instituto Bahá’í de Educação Superior (IBES) foram presos por todo o Irã, de 29 de setembro a 3 de outubro de 98

* Dois bahá’ís presos anteriormente, Sr. Sirus Zabihi-Moghaddam e Sr. Hedayat-Kashefi Najafabadi, foram sentenciados a morte- Setembro de 98

* 532 casas foram invadidas e equipamentos, arquivos e propriedades usados pelo IBES foram confiscados; vários itens pessoais também foram confiscados na mesma ocasião

* As ações foram tomadas por todo o Irã por oficiais do Governo sob ordens do Ministério da Informação, uma agência de inteligência do Governo Iraniano

* Aqueles que foram presos eram intimados a assinar uma declaração que IBES fora abolido e que eles não mais se envolveriam com o mesmo. Eles se negaram a assinar.

 

Histórico Geral

* Mais de 200 bahá’ís foram assassinados desde 1980 devido a suas crenças religiosas; geralmente acusados de crimes fictícios; milhares têm sofrido detenção arbitrária.

* A ultima execução foi em Julho de 1998, do Sr. Ruhollah Rawhani, de Mashhad

* Desde 1980, bahá’ís no Irã não têm tido nenhum direito garantido pela constituição do atual regime devido a sua crença em uma religião que nasceu após o Islamismo

* Os bahá’ís são sujeitos a confiscos de pensões, propriedades e bens.

* Os Cemitérios Bahá’ís por todo o Irã foram confiscados e profanados.

* O Casamento Bahá’í não é reconhecido no Irã

Situação da Educação Superior

* O Governo Iraniano tem negado o ingresso de bahá’ís nas universidades desde 1980.

* O IBES, também conhecido como "Universidade Aberta", é uma tentativa de fornecer educação superior para bahá’ís de forma privada.

* O IBES está em operação desde 1987.

* Os professores, palestrantes e administradores são acadêmicos bahá’ís despedidos de posições na universidade após a revolução.

* O fechamento do IBES é um dos meios utilizados para o estrangulamento da comunidade bahá’í contidos no documento "A Questão Bahá’í", emitido pelo Conselho Cultural Supremo Revolucionário Iraniano em 1991, assinado pelo Ayatollah Ali Khamenei.

 


Excertos do documento "A Questão Bahá’í " do Governo Iraniano

"O tratamento deles, os bahá’ís, deve ser de tal forma que seu progresso e desenvolvimento sejam impedidos."

" Eles devem ser expulsos de universidades, seja no processo de admissão ou durante o decorrer dos seus estudos, no momento que se descobre serem Bahá’ís."

" Um plano deve ser arquitetado para confrontar e destruir suas raízes fora do país."

"Negar-lhes emprego caso sejam identificados como bahá’ís."

" Negar-lhes qualquer posição de influência, como no setor educacional, etc."

 


Negado o direito de aprender: A tentativa do Irã de destruir a vida intelectual da comunidade bahá’í iraniana.

Um histórico sobre o Instituto Bahá’í de Educação Superior

Desde 1980, como parte de uma tentativa do Governo de destruir a vida intelectual e cultural da comunidade bahá’í de 300.000 membros, jovens que se identificaram como bahá'ís têm sido sistematicamente excluídos de faculdades e universidades no Irã.

Profundamente preocupados ao ver uma completa geração dos melhores e mais brilhantes jovens definhar sem a oportunidade de ter uma educação superior, a comunidade bahá’í do Irã lançou uma resposta criativa e completamente pacífica: o estabelecimento de seu próprio, independente, habilitado, porém completamente descentralizado, sistema universitário.

Fundado em 1987, o Instituto Bahá’í de Educação Superior (IBES) tinha, até setembro de 1998, inscritos de mais de 900 alunos, um corpo docente de mais de 150 acadêmicos e instrutores, e uma "infra-estrutura" composta de várias salas de aula, laboratórios e bibliotecas espalhadas por todo Irã em lares particulares e prédios.

Como foi intensamente noticiado na mídia internacional, agentes do Governo Iraniano protagonizaram uma série de ataques devastadores no final de Setembro e começo de Outubro de 98, prendendo pelo menos 36 docentes e funcionários do IBES e confiscando muitos dos seus equipamentos e arquivos localizados em mais de 500 residências. Aqueles que foram presos, muitos do quais foram colocados em liberdade, eram intimados a assinar um documento declarando que o IBES havia deixado de existir a partir do dia 29 de Setembro e que eles não mais cooperariam com o mesmo. Todos se recusaram a assinar tal declaração.

Para os observadores informados, as recentes prisões e confiscos são claramente parte de uma campanha duradoura e centralmente orquestrada pelas autoridades iranianas para lidar com a comunidade bahá’í no Irã "de forma que o seu progresso e desenvolvimento sejam impedidos"- como descrito em um memorando secreto do Governo, datado de 1991 que instruía autoridades a como lidar com "A Questão Bahá’í". As ações contra o IBES, da mesma forma, refletem um novo e perigoso período para a comunidade Bahá’í iraniana, anunciado pela execução sumaria do Sr. Ruhollah Rowhani, um vendedor de materiais médicos de 52 anos que foi enforcado em Mashhad em 21 de julho de 1998 unicamente por razão religiosa, e a subsequente confirmação das penas de morte para dois outros bahá’ís em Mashhad em setembro.

O memorando secreto do Governo, redigido pelo Conselho Cultural Supremo Revolucionário em fevereiro de 1991, foi obtido e anunciado publicamente em 1993 pelo Representante Especial das Nações Unidas que investigava a situação dos direitos humanos no Irã, Sr. Galindo Pohl. Assinado pelo Presidente Iraniano Ali Khamenei, o memorando estabelecia uma política governamental sutil com o objetivo essencial de esmagar a comunidade até a sua não-existência ao forçar crianças bahá’ís a terem uma pesada educação Islâmica, forçando os adultos a uma periferia econômica e colocando todos longe de posições de poder ou influência, e requerendo que a juventude bahá’í "seja expulsa de universidades, seja no processo de admissão ou durante o decorrer de seus estudos, a partir do momento que se saiba que são bahá’ís".

Não é uma universidade subversiva

Seria incorreto chamar o IBES de uma "universidade subversiva", pois sua existência era bem conhecida por autoridades desde seus primeiros anos. De fato, em 1992 autoridades Iranianas conduziram ataques de largo alcance contra IBES, confiscando registros e equipamento mas não chegaram a fechar o Instituto

Obedecendo o princípio bahá’í de obediência para com o Governo, os bahá’ís no Irã sempre responderam claramente às perguntas quanto ao Instituto ou qualquer outra pergunta feita. Mesmo assim, da mesma forma que os bahá’ís iranianos foram impedidos de operar suas instituições livre e normalmente, eles optaram em dirigir uma "universidade aberta" que era altamente descentralizada e cuidadosamente cautelosa na sua operação.

Até ocorrerem os ataques do Governo no final de setembro de 1998, o Instituto oferecia bacharelado em dez (10) cursos: química aplicada, biologia, odontologia, farmacologia, engenharia civil, computação, psicologia, direito, literatura e contabilidade. Dentro desses cursos, que eram administrados por cinco departamentos universitários, o instituto era capaz de oferecer mais de 200 cursos distintos cada semestre. No início, os cursos eram baseados em aulas por correspondência desenvolvidas pela Universidade de Indiana, EUA, que foi uma das primeiras instituições do ocidente a reconhecer o IBES. Depois, a oferta de cursos desenvolveu-se internamente.

O ensino era feito principalmente via correspondência ou, para cursos científicos especializados e cursos técnicos e em outro casos especiais, em classes de pequenos grupos que eram geralmente realizados residências particulares. O Instituto também tinha uns poucos laboratórios, que operavam em prédios comerciais particulares em e ao redor de Teerã. Estes laboratórios incluíam laboratórios de: computação, física, odontologia, farmacologia, química e para estudos da língua. As atividades nestes laboratórios eram mantidas prudentemente silenciosas, com alunos avisados de não entrarem e saírem em grandes grupos para não dar motivos de objeção para as autoridades.

Um corpo docente apenas com voluntários

No seu auge, o Instituto teve acima de 150 membros no corpo docente. Aproximadamente 25 ou 30 eram professores que foram despedidos de universidades governamentais, após a Revolução Islâmica de 1979. Outros membros do corpo docente incluíam médicos, dentistas, advogados e engenheiros que doavam seu tempo para ensinar os alunos. A maioria foi educada no Irã, mas um bom número tem diplomas de universidades no Ocidente incluindo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, a Universidade de Berkeley na Califórnia, a Universidade de Columbia e Sorbonne. Nenhum dos membros do corpo docente bahá’í eram pagos pelo seu serviço; todos o ofereciam livremente como uma forma de serviço comunitário.

Todos os cinco departamentos não dependiam somente desses professores pelos seus conhecimentos mas também de um pequeno e anônimo grupo de docentes bahá’ís na América do Norte, Europa e Austrália que enviavam seus mais recentes livros e pesquisas, ocasionalmente faziam visitas ao Irã como palestrantes convidados, e de outras formas providenciavam suporte técnico e instrutivo.

Alto Nível Acadêmico

Provas de admissão para o IBES eram necessárias, estabelecendo altos padrões de conhecimento. Dos quase 1.500 alunos que se inscreveram para o primeiro ano de funcionamento, 250 foram aceitos para o primeiro semestre de estudos. Em 1996, um total de 600 alunos haviam entrado no IBES e seguiam seus estudos; em 1998, aproximadamente 900 alunos estavam matriculados.

Entre os indicativos dos surpreendentes altos níveis acadêmicos e educacionais do Instituto consta o sucesso de que alguns alunos graduados do Instituto ganhavam admissão para outras instituições fora do Irã, incluindo importantes universidades nos Estados Unidos e Canadá. Deve ser lembrado que alguns alunos e graduados tiveram dificuldade em terem seus créditos reconhecidos fora do Irã - um percalço para graduados do Instituto derivado da política Iraniana de bloquear seu acesso para a educação e seu fracasso de reconhecer o Instituto oficialmente.

Administração Complexa

No seu funcionamento diário, o Instituto funcionava basicamente como um curso por correspondência, mas com o seu próprio sistema de entrega. Nos seus primeiros anos, alunos e corpo docente enviavam e recebiam tarefas, atividades e lições através do sistema dos correios. Mas os pacotes freqüentemente não chegavam e era assumido que o material fora interceptado como parte da tentativa do Governo de interferir na educação bahá’í .

A partir do momento que os professores não podiam enviar as aulas abertamente, eles prepararam suas próprias anotações e faziam livros-texto para distribuição entre os alunos. Novamente, como já mencionado, alguns destes textos eram baseados nas últimas pesquisas do Ocidente. Um aluno de engenharia civil, por exemplo, estudava a construção de silos de terra à prova de terremotos, e os contatos do Instituto em outros países eram capazes de conseguir as últimas pesquisas neste tema do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Esta operação completa dependia altamente no uso de grandes quantidades de cópias, e um dos maiores golpes nos últimos ataques foi o confisco de várias máquinas de fotocópias.

O sistema do Instituto também possuía uma rede especial de bibliotecas de empréstimo por todo o país. Acima de 45, estas bibliotecas existiam em lares particulares de Bahá’ís e capacitavam os alunos em cada distrito de obter acesso a livros de leitura para os cursos. Algumas destas bibliotecas foram capturadas durante os ataques recentes.

Fechamento

Com o passar do tempo, à medida que os responsáveis pelo Instituto começaram a sentir maior confiança por suas atividades, muitas aulas em grupo começaram a ser organizadas junto com estudos individuais em lares particulares. O Instituto também começou a publicar catálogos de cursos sofisticados, listando não apenas as ofertas de curso, mas também as qualificações do membros do corpo docente. Através da rede internacional de comunidades Bahá’ís no mundo inteiro, o Instituto também começou a estabelecer os meios pelos quais seus graduandos possam ser plenamente reconhecidos por outras instituições universitárias fora do Irã.

Não está claro para a comunidade bahá’í do Irã qual a razão dos ataques e confiscos terem ocorrido no final de setembro, e oficiais do Governo Iraniano não apresentam explicações quando indagados a respeito das ações.

Entre várias importantes convenções dos direitos humanos, o Irã é membro do Convênio Internacional em Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, que foi adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 16 de Dezembro de 1966. Signatários deste Convênio "reconhecem o direito de todos à educação" e mais especificamente que "educação superior deve ser igualmente acessível a todos, com base em suas capacidades, por qualquer maneira apropriada."

A exclusão de bahá’ís ao acesso da educação superior no Irã certamente constitui uma enorme violação ao Convênio. Estas últimas medidas tomadas para acabar com a resposta criativa e pacífica da comunidade bahá’í iraniana apenas aumenta o descontentamento público em relação a tentativa do Governo Iraniano de estrangular a comunidade bahá’í.


 
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 julho 17, 2010