NEW YORK 14/8/2004 14:32:57
Nova manobra do Governo Iraniano para privar estudantes
bahá'ís de acesso ao ensino superior. Cerca de mil
estudantes receberam ultimato de se registrarem como
muçulmanos ou ficarem fora das universidades
NOVA YORK – Em outra clara
violação dos direitos humanos aos bahá'ís no Irã, cerca de
mil estudantes bahá'ís em idade universitária, receberam a
intimação de que devem identificar-se como muçulmanos para
poderem ingressar este ano nas universidades oficiais do
país – foi a informação recebida pela Comunidade
Internacional Bahá'í.
Representantes da Comunidade Internacional Bahá'í souberam
ontem desta ação, que envolve a pré-impressão da palavra
“Islã” no campo referente à religião do candidato no
resultado da seleção para ingresso nas faculdades nacionais,
distribuído aos estudantes recentemente.
Isto ocorre após terem os estudantes bahá'ís sido levados a
acreditar, através de pronunciamentos do Governo Iraniano na
mídia e em afirmativas particulares, que não haveria questão
referente a sua religião nos formulários de ingresso à
universidade este ano no Irã.
“O Governo iraniano, na verdade, está tentando forçar os
jovens bahá'ís a renegarem sua fé, se desejarem ingressar na
universidade”, afirma Bani Dugal, representante oficial da
Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas.
“Esta ação vai contra todas as afirmativas que o Irã tem
feito à comunidade internacional com relação à sua intenção
de respeitar a liberdade religiosa e, de fato, contraria
também os convênios internacionais sobre direitos humanos
dos quais o Irã é signatário,” acrescentou a Sra. Dugal.
Já há mais de vinte anos os bahá'ís foram banidos das
instituições de ensino superior unicamente por razões
religiosas – uma violação que tem sido condenada em inúmeros
fóruns internacionais sobre direitos humanos.
Esta atitude adotada pelo governo iraniano efetivamente
amplia tal banimento, porquanto é fato reconhecido que os
bahá'ís, por questão de princípio, não renegam sua Fé.
No passado, os formulários de ingresso exigiam que os
candidatos se registrassem como seguidores de uma das únicas
quatro religiões que têm reconhecimento oficial no Irã – o
Islamismo, o Cristianismo, o Judaísmo ou o Zoroastrismo.
Sendo estas as únicas escolhas possíveis, os bahá'ís, que se
recusam a mentir sobre sua afiliação religiosa, ficavam
excluídos das universidades.
Este ano, os formulários para os exames não continham o ítem
referente à afiliação religiosa dos candidatos. Em vez
disso, os candidatos precisavam apenas designar em qual das
quatro religiões reconhecidas - Islã, Cristianismo, Judaísmo
ou Zoroastrismo – escolheriam ser examinados como parte da
seleção para ingressar na universidade.
Representantes da comunidade bahá'í foram assegurados de
que, selecionando o Islã como matéria para os exames, isso
não indicaria que os estudantes eram membros daquela Fé.
Entretanto, de acordo com relatos agora recebidos do Irã,
depois que os estudantes bahá'ís fizeram os exames, as
autoridades estão dizendo que este ato significa de facto
uma declaração de Fé no Islã.
Nesse sentido, os estudantes bahá'ís estão sendo impedidos
de entrar na universidade, já que tal aceitação significaria
uma renúncia oficial à sua fé, e seria utilizado pelas
autoridades como evidência de tal renúncia.
“Por mais de um ano, o Governo iraniano manteve a promessa
de que os bahá'ís poderiam, pela primeira vez em cerca de
vinte anos, ter acesso ao ingresso às instituições oficiais
de ensino superior”, esclareceu a Sra. Dugal.
“Porém, agora, em uma atitude totalmente divergente de suas
afirmativas, o Governo está dizendo: 'Vocês podem vir, mas
precisam fingir que são muçulmanos'. Isso é algo que os
bahá'ís não fazem. E o Governo iraniano sabe muito bem
disto.”
A Comunidade Bahá'í no Irã, com cerca de 350 mil membros, é
a maior minoria religiosa naquele país. Desde 1979, com a
instalação da Revolução Islâmica, mais de duzentos bahá'ís
foram mortos, centenas foram presos e milhares tiveram
negado acesso à educação, emprego e outros direitos, em uma
seqüência de episódios que demonstram tratar-se efetivamente
de uma sistemática perseguição religiosa.